quarta-feira, 20 de abril de 2016

OVELHEIRO GAÚCHO


O ovelheiro gaúcho é uma raça canina originada nos pampas do Rio Grande do Sul, Brasil. Sua origem é muito antiga e controversa, e na década de 2000 foi oficializada como raça pura pela Confederação Brasileira de Cinofilia.

Sua origem remonta aos cães trazidos pelos colonos portugueses aos campos do Rio Grande do Sul durante o século XVIII, após a Guerra Guaranítica começa um processo de ocupação de colonos para garantir a demarcação das fronteiras no sul do Brasil.


Junto a estes camponeses, vem de Portugal cães para auxiliá-los no trabalho rural, estes cães eram da raça cão da Serra de Estrela. 

Em um período  posterior, também chegaram ao Rio Grande do Sul cães da raça scotch collie, uma raça britânica extinta, com origem na Escócia e norte da Inglaterra, chegaram junto a rebanhos de ovelhas importadas da Argentina, onde eram criadas por muitos 
colonos escoceses e ingleses, estes rebanhos tinham como destino o Rio Grande do Sul, o Estado do Brasil com mais tradição na criação de ovelhas, e era comum alguns cães pastores irem junto com o rebanho neste tipo de negócio.

O cão da Serra da Estrela e o scotch collie já em solo brasileiro, teriam se miscigenado naturalmente nas fazendas gaúchas de criação de ovelhas, e também sofrido uma seleção artificial feita pelos peões, que sempre procuraram cruzar os cães com mais aptidão ao pastoreio das ovelhas, além de terem geração após geração sofrido um processo de  seleção natural e adaptação ao clima do sul do Brasil, que tem peculiaridades em relação ao clima da Serra da Estrela, em Portugal, e da Escócia e norte da Inglaterra.

A primeira referência sobre o ovelheiro gaúcho é de 1820, por August de Saint-Hilaire, em "Viagem ao Rio Grande do Sul", que informa serem usados cães para o trabalho conhecidos como ovelheiros, na área rural do município de Rio Grande, no interior gaúcho, região de fronteira onde os cães eram criados junto das ovelhas, e além da tradicional atividade de pastoreio do rebanho de ovelhas, o autor relata que os ovelheiros gaúchos tinham a ingrata função de proteger o rebanho contra cães até então selvagens da raça cimarron, originários do Uruguai e comuns na fronteira entre ambos os países. 


Década de 1950 no Rio Grande do Sul


Em 1860 temos outro registro sobre o ovelheiro gaúcho, o livro "As missões orientais e Seus Antigos Domínios" de Hemetério da Silveira, narra que neste período, criadores da Serra Gaúcha se utilizavam de cães ovelheiros para proteger o rebanho.


O ovelheiro gaúcho é de porte médio a grande, há um evidente dismorfismo, onde os machos normalmente são bem maiores que as fêmeas, são de pelagem média a longa, todas as cores e combinações são permitidas. 



No campo, o ovelheiro gaúcho é um exímio pastor de ovinos, mas também conduz muito bem rebanhos bovinos, por serem um pouco maiores do que as tradicionais raças pastoras de ovelhas e principalmente devido a seu estilo de pastoreio, utilizando-se de mordiscadas no tornozelo da rés, para desempacá-la, já que apenas movimentação, muitas vezes não funciona com rebanhos de bovinos.



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